Enquanto lideranças políticas de esquerda e centro-esquerda condenaram invasão ao país vizinho, direita comemorou ação dos EUA
A invasão dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro gerou reações entre políticos do Brasil, inclusive do Ceará. Condenações ao ataque, críticas aos líderes norte-americano e venezuelano e apelos para uma reação da Organização das Nações Unidas (ONU) marcaram as manifestações dos políticos cearenses nesse final de semana.
O governador Elmano de Freitas (PT) afirmou que o ataque contra a Venezuela é grave e chamou a ação de "precedente extremamente perigoso". O petista também defendeu que a ONU atue na busca de uma solução para a crise. "Ataques a nações violam as regras do direito internacional e contribuem para o surgimento de novas guerras, que só trazem mortes, sofrimento e destruição. Que a ONU encontre o melhor caminho para responder e mediar essa situação em solo venezuelano. O diálogo e a paz devem prevalecer, sempre!", escreveu o governador do Ceará em publicação nas redes sociais.
Em um tom semelhante, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), disse que a ação dos EUA ataca a soberania da Venezuela e representa uma grave violação ao direito internacional, ameaçando a paz e os esforços para a estabilidade política na América Latina. "A interferência estrangeira no território abre um precedente de grave risco para a região e precisa de resposta imediata da comunidade internacional, por meio das Nações Unidas".
Os presidentes da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) e da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), ambos do PSB, também comentaram sobre o conflito.
O vereador Leo Couto (PSB) disse que o ataque dos EUA contra a Venezuela representa "uma grave violação do Direito Internacional e da soberania venezuelana", além de "um precedente perigoso de interferência externa que fere o princípio da diplomacia entre as nações". Ele também defendeu a ação da ONU.
Já o deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB) criticou duramente tanto o presidente dos EUA, Donald Trump, como o da Venezuela, Nicolás Maduro. "Maduro é um ditador. E todo ditador é um criminoso. Trump é um autoritário. E todo autoritário não merece meu respeito. Ambos não pensam no povo venezuelano, ao qual destino minhas preocupações e minha solidariedade".
Romeu ainda fez um alerta voltado à América Latina e apelou para que o Brasil lidere as negociações diplomáticas. "Nada garante que Trump vai parar por aí. Da mesma forma que invadiu um país pelo petróleo, pode invadir outro pelas riquezas amazônicas. Não temos o que comemorar. Que o Brasil exerça sua liderança para fazer com que a diplomacia e a democracia prevaleçam!"
O ministro da Educação e ex-governador, Camilo Santana (PT), compartilhou em suas redes sociais a nota do governo federal divulgada no sábado (3) e comentou: "Seguiremos firmes e vigilantes contra o uso da força e inaceitável afronta à soberania dos países, em flagrante violação do direito internacional".
Enquanto as lideranças políticas da esquerda e centro-esquerda condenaram o ataque à Venezuela, na direita as manifestações foram de comemoração e ironia após a invasão dos EUA ao país vizinho.
O presidente do PL Ceará, deputado federal André Fernandes, postou nas suas redes sociais uma imagem alterada com a foto de Maduro divulgada por Trump que seria de quando o venezuelano estava na viagem aos EUA, em navio da marinha norte-americana. Maduro aparece com olhos vendados e mãos algemadas. Na montagem divulgada por André está o rosto do presidente Lula, que carrega uma garrafa de cachaça nas mãos. "Um sonho", escreveu André.
O deputado do PL também fez comentários irônicos sobre Maduro e a esquerda brasileira. "Quando o Maduro estava atropelando o próprio povo com tanques de guerra, os esquerdistas que estão reclamando agora não acharam ruim. Tem hipocrisia até pra defender o ditador de estimação", disse.
O senador e pré-candidato a governador do Ceará, Eduardo Girão (Novo), também ironizou a esquerda e postou foto de Maduro com Lula, apontando uma relação de proximidade entre os presidentes, lembrando encontro entre os dois no terceiro governo Lula. "Fico feliz pela sonhada liberdade do sofrido povo venezuelano! Que venha também a redenção do Brasil!", escreveu Girão.
Já o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) aproveitou o momento para questionar o governador Elmano, que se manifestou em relação à Venezuela, sobre o caso do prefeito eleito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), que tem um mandado de prisão em aberto há mais de um ano e segue foragido da Justiça. RC também cobrou Elmano sobre o enfrentamento às facções criminosas no estado. "Quando o debate é lá fora, a solidariedade vem rápido. Quando o problema é aqui dentro, o silêncio incomoda. O Ceará precisa de respostas, não de discurso", falou RC.
O presidente do União Brasil no Ceará, ex-deputado federal Capitão Wagner, chamou o governo Maduro de "narcoditadura que oprimiu e fez sofrer toda uma nação" e desejou que a Venezuela tenha uma democracia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário