
Do Jornal Diário do Nordeste
Evaldo Gouveia: "A maioria dos meus colegas de boemia se foram para o outro plano, inclusive todos os componentes do Trio Nagô, menos eu. Agora, me cuido muito"
Ídolo de multidões, mestre da canção, o cantor e compositor Evaldo Gouveia volta a se apresentar na cidade. Será amanhã à noite, no Bar Docentes & Decentes. Ocasião para reviver seus antigos sucessos
Presença constante em Fortaleza para rever amigos e familiares, Evaldo Gouveia volta a se apresentar na capital cearense, onde, afirma, gostaria de subir ao palco com maior frequência. "Eu gostava de cantar com a Cláudia Barroso na Casa da Seresta, no Ideal Clube. Infelizmente, o projeto acabou. Fiquei meio desencantado". Outro problema: ele não tem empresário em Fortaleza, o que dificulta uma agenda de shows na cidade. Mas, na apresentação de amanhã, às 22h, no Docentes & Decentes, o público poderá matar a saudade deste compositor referencial para a história da música brasileira.
Autor de 1.018 canções, Evaldo promete interpretar seus maiores sucessos: "Bloco da Solidão", "Alguém me disse", "Tudo de Mim", "Sentimental Demais", "Brigas", "O Trovador" e "O Samba da Portela". Músicas conhecidas e cantadas em todo o Brasil. Mas Evaldo vai mais longe. Não para de compor. E mostrará algumas criações da sua nova safra. Além da voz e de seu violão, ele terá, como gosta de dizer, "uma plêiade de músicos" o acompanhando, com direito a teclado, baixo e bateria.
Longe do Ceará, Evaldo, 74 anos, sempre está envolvido em muitos projetos. Estando em Fortaleza, não se furta a relembrar algumas das tantas histórias amealhadas ao longo da carreira. Como o período em que comandou uma das casas noturnas mais famosas de São Paulo - a "Sun Flash". Foram 22 anos de boemia.
Evaldo lembra que, além de dirigir a casa, cantava e bebia pelo menos duas garrafas de uísque durante os shows. A bebida, esqueceu. A casa, vendeu. E o cigarro, deixou de lado. Há dez anos, segue uma vida em plano reto. "Sou caseiro, tranquilo, faço shows pelo País". Ao contrário de muitos amigos de boemia, Evaldo diz que não tem a mínima saudade da vida passada. "A maioria já se foi para outro plano, inclusive todos os componentes do Trio Nagô, menos eu. Agora, me cuido muito".
Mais histórias
O cotidiano de Evaldo mudou. Contrastando com os estereótipos que balizam a condição do artista entre os cenários e prazeres da vida noturna, diz que continua dedicando os dias a compor. As noites ficam para as apresentações. "Meu campo de shows são dois lugares: São Paulo e Brasília. Sou muito querido. Todo mundo, tanto os paulistas, quanto os brasilienses adoram minhas músicas. E veja, lá tem gente de todo o Brasil". Lembra que, recentemente, recebeu grande homenagem da Casa do Ceará, em Brasília. "Foi emocionante".
Mas ninguém esquece o passado. Evaldo pode não se dizer saudosista, mas assume as naturais saudades. "Fui o fenômeno da música popular brasileira. Ganhei festivais, cantei quase no mundo inteiro. Morei na Itália e em Paris, enfim, tive uma vida singular. Ainda cantei em países como Cingapura, Israel, Grécia e China. Uma vida de muita música e viagens".
Não esquece também os amigos. Lembra com carinho companheiros de copo e de música, como Vinicius, Tom Jobim, Lúcio Alves e, claro, seu grande parceiro, Jair Amorim. Cita, ainda, Altemar Dutra, que se orgulha de ter lançado na cena musical, em que ficaria famoso como um dos mais assíduos intérpretes das canções de Evaldo Gouveia e Jair Amorim.
Uma coisa ele não fez: casar. E diz o motivo: "Não tive tempo". Viajou muito. Assinala que sua vida foi de cigano. Vida que leva até hoje. Mas com muita alegria. "Sempre fui um apaixonado pela vida e pelas mulheres". Mora com uma companheira de muita tempo: há 20 anos convive com a advogada cearense Liduína Lessa Fernandes. Mágoas? Não gosta de falar. Para Evaldo, lembranças só positivas. "É algo pesado falar em mágoas. Sinto, apenas, saudades. Principalmente da minha terra: Iguatu. Há cinco anos não faço show por lá, mas pretendo voltar assim que tiver oportunidade".
Criação
"Acordo com o violão de manhã, gravador ao lado, e começo a compor. Não saí do meu gênero de música. Veja que faço desde os oito anos de idade. Fiz todo tipo de música - tango, bolero, samba-enredo, baladas, valsa, fox, fado e, agora, compus três forrós. Aqui, no Ceará, o forró é moda e, por isso, explorei o filão", comenta.Evaldo Gouveia gravou apenas três CDs em toda a sua vida. Tinha tantos intérpretes que não se preocupou tanto em gravar sozinho. Mas, com o Trio Nagô, nem lembra quantos discos foram lançados. Nem quantos filmes foram realizados pela Atlântida, ao longo de 25 anos.
Agora, Evaldo trabalha com novos parceiros. Os principais são Paulo César Pinheiro e Carlos Colla, no Rio de Janeiro. Mais dois parceiros em Brasília - Rômulo Marinho e Clôdo Ferreira. No Ceará, compõe ainda com Fausto Nilo. Mais recentemente, no disco "Fortaleza", Fagner gravou "Esquina do Brasil", música sua e de Fausto Nilo, e "Preciso de Alguém", parceria com o compositor Paulo César Pinheiro.
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