
Com apartes de diversos deputados federais, dentre eles, Vanessa Graziotim, da Amazônia, Raimundo Gomes de Matos do PSDB e José Airton Cirilo, do PT, o deputado federal Padre José Linhares se debruçou em discurso do grande expediente da Camara dos deputados sobre o desenvolvimento do Nordeste, suas desigualdades regionais e o trabalho do Governo cearense para atingir índices na sua totalidade, superiores aos índices nacionais de crescimento, no que pese o horror do analfabetismo da região. Disse o Padre Zé, agora na Camara dos Deputados:
“O Nordeste é conhecido pela maioria do povo brasileiro, como uma região de sequeiros, freqüentemente, visitada pelas secas, flagelo que ainda nos tortura ciclicamente, e nação de migrantes, que compele os nordestinos a buscar novos lugares onde a civilização e os meios de sobrevivência lhes sejam mais facilmente facultados.
Este perfil gravou-se de tal maneira no inconsciente do brasileiro que chegou a formar mesmo um clichê.
É certo que muitos dos nossos irmãos, tangidos, sobretudo pelo fenômeno da seca, foram aliciados por paraísos outros, que emoldurando sonhos povoaram regiões inóspitas como o Amazonas, sediaram as favelas do Sul e do Sudeste e vieram ser peões no Centro-Oeste.
O imaginário popular gravou estas circunstâncias e esqueceram de se debruçar sobre no novo Nordeste que protagoniza uma nova etapa de desenvolvimento do País. Com a ascensão da classe C – provocada em boa medida pelo aumento do salário mínimo e pelos programas sociais de transferência de renda – a área geográfica antes conhecida como sinônimo de seca e pobreza vem modificando, consideravelmente, seu perfil, atraindo investidores nacionais e estrangeiros. A reação se processa em cadeia: mais empregos puxam a renda que se transforma em consumo, alavancando a produção industrial e investimentos privados.
O IPC Target Brasil em Foco, elaborado pela Target Marketing, mostra que o Nordeste ocupa a segunda posição em potencial de consumo, com participação de 18,8% no total de R$1.8 trilhão que a economia deve movimentar este ano. O Nordeste com esta marca ultrapassou a região Sul que respondeu com 16,3% de consumo nacional e ao Centro-Oeste que aparece com 7,8% e 5,7%, respectivamente.
O Nordeste concentra 28% da população brasileira e mais da metade dos que recebem salário mínimo no Brasil. De 2003 a 2008 foram gerados no Nordeste 1900 postos de trabalho com carteira assinada, subscreve a assertiva Tânia Bacelar professora da UFPE. Isto representa 39% sobre o estoque de vagas no mesmo período, as ocupações formais no Brasil foram de 10,3 milhões.
O impacto direto da geração de emprego, seguindo Tânia Bacelar, refletiu-se no varejo que cresceu 53% contra uma média de incremento nacional de 40%.
Investimentos vêm acontecendo diuturnamente, a Bauducco foi para a Bahia, Perdigão e Sadia para Pernambuco, Wal-Mart para o Ceará. O consumo atrai investimento de grandes corporações.
O professor Flávio Ataliba Barreto, coordenador do Laboratório de Estudos da Pobreza, afirma que a renda do Trabalho e a seguridade social explicam a queda da desigualdade no Estado do Ceará entre 2006 e 2008.
Alguns indicadores apontam para que se confiram nossas assertivas:
Vendas No Varejo
Sudeste 5,2 %
Sul 3,6 %
Nordeste 5,6%
Norte 2,3 %
Centro-Oeste 0,9 %
Ceará 9,2 %
Brasil 4,0 %
Saldo de empregos formais
Sudeste 2,32 %
Sul 1,83 %
Nordeste 0,79%
Centro-Oeste 4,53 %
Ceará 3,43 %
Brasil 2,13 %
Outro fator relevante é a inserção no novo mapa geográfico da base produtiva brasileira. Na década de 70, os estados nordestinos respondiam por apenas 5,7% do valor da indústria de transformação nacional, em 2005 saltou para 9,2% da indústria.
Novas bases produtivas estão sendo implantadas nas áreas de metalurgia, petróleo e gás, fruticultura, celulose, tecnologia da informação, grãos, siderurgia e turismo. A Vale está chegando ao Ceará.
No entanto se todos estes números nos alentam e estimulam, outros há que nos preocupam e criam um alerta aos governos e suas políticas públicas. A população do Nordeste representa 28% da brasileira, sendo 4% no Ceará e 24% nos outros estados. A região possui 49% dos pobres do País. No outro extremo, a Região Sul, apesar de possuir 15% da população brasileira, abrange tão somente 8% dos pobres. Esta relação para o Sudeste é de 42% e 26%, respectivamente. Somente 43% dos jovens nordestinos entre 15 e 17 anos cursavam o ensino médio em 2007. Somente 7,5% dos jovens entre 18 e 24 anos freqüentavam o ensino superior.
Nas regiões metropolitanas de Fortaleza e Recife, a proporção de analfabetos chega a índices alarmantes: na população de 25 anos, é de 21%, na de Salvador 13%, no sertão alagoano 50%, comenta a emérita economista Tânia Bacelar. Conclui a professora que “somente um choque de conhecimento nos níveis de ensino, em ciência e tecnologia, é capaz de inserir de vez o Nordeste na Agenda do Século XXI.
O analfabetismo na região é quase o dobro da média nacional, 9,2%, levantamento do IBGE, da sexta-feira passada.
Ainda em todo o país, considerando-se pessoas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo teve queda entre 2007 e 2008, passando de 10,1% para 10%. A taxa de analfabetismo nesta faixa etária foi estimada para os homens em 10,2%, para as mulheres 9,8%. Nas regiões Sul e Sudeste, as taxas de analfabetismo que foram estimadas entre as mulheres eram pouco superiores. No Sul, a taxa entre mulheres era de 5,9%, entre os homens de 5%. No Sudeste correspondiam os índices, respectivamente, a 6,3% e 5,2%.
Segundo o IBGE, o Nordeste tem a menor média de anos de estudo, 5,9 anos por pessoa. O índice nacional é 7,1 anos, sendo que no Sudeste 7,7 anos, no Sul 7,5 anos, no Centro-Oeste 7,1 e, no Norte, 6,4.
As mazelas por si só trazem o espectro da educação no Nordeste. Além deste descalabro, temos o fenômeno capitalocêntrico. A maioria dos benefícios sócio-político-educacionais são carreados para a Capital, largando-se o interior ao seu próprio destino.
Os nossos governantes parecem desconhecer que 40% de nossa população habita o semi-árido, que só produz 20% da produção. E as nossas escolas públicas do interior, com professores mal formados, sem educação continuada, sem piso salarial conveniente, produzem o analfabetismo funcional. Segundo o IBGE foi de 21%, em 2008, ou seja, 30 milhões de Analfabetos funcionais.
Se examinássemos outros setores estruturantes, como saúde, rodovias, segurança, nos depararíamos com indicadores alarmantes.
Temos de ressaltar que alguns estados vêm mudando de perfil. Exemplificamos, por se encontrar mais perto de mim, o Governo do Estado do Ceará, comandado pelo nosso Governador Cid Gomes. Na quinta-feira, da semana passada, em entrevista com Sua Excelência e alguns Prefeitos do Partido Progressista, tomei conhecimento que em cidades de mais de 30.000 habitantes, estão sendo construídas creches; em cidades aquém, em estilo de consórcio, as demais estão sendo contempladas. Encontra-se em construção 100 escolas profissionalizantes, os professores são estimulados com um plus dependendo de sua participação nos cursos de aperfeiçoamento e rendimento escolar de seus alunos. No ensino médio intensifica-se e estimula-se o professorado, sobretudo, das áreas técnicas como: física, química, matemática e biologia.
Na saúde, estão sendo construídos dois hospitais de alta complexidade e tecnologia, um na região sul e outro na norte, e 20 Unidades de Pronto Atendimento - UPA.
Na segurança, além do Programa Ronda do Quarteirão, segurança mais perto de você, 49 cadeias estão em fase de conclusão e, em todas as comarcas, há um delegado concursado.
As rodovias estaduais estão todas sendo recuperadas com muito primor e tecnologia, bem diferentes das Federais que se encontram em péssimo estado de conservação.
Muitas outras obras vêm sendo tangidas, demonstrando assim, quando há governantes diligentes e competentes, com garra demonstra-se como o Nordeste pode ser modificado.
No contraditório aqui demonstrado, temos a certeza que do Nordeste pode surgir a transformação do Brasil.”
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