Jornal do Congresso Nacional destaca fala do Padre Zé
- Nordeste ocupa a 2ª posição em potencial de consumo do País, destaca José Linhares
Com a ascensão da classe C, a região antes conhecida como sinônimo de seca e pobreza vem modificando seu perfil, atraindo investidores nacionais e estrangeiros
O IPC Target Brasil em Foco, elaborado pela Target Marketing, mostra que o Nordeste ocupa a segunda posição em potencial de consumo no País, com participação de 18,8% no total de R$ 1,8 trilhão que a economia deve movimentar este ano. O Nordeste, conforme o levantamente, ultrapassou as regiões Sul e Centro-Oeste, destacou o deputado José Linhares (PP-CE). “Com a ascensão da classe C, provocada em boa medida pelo aumento do salário mínimo e pelos programas sociais de transferência de renda, a área antes conhecida como sinônimo de seca e pobreza vem modificando seu perfil, atraindo investidores nacionais e estrangeiros”, afirmou o deputado.
A reação, analisou José Linhares, se processa em cadeia. “Mais empregos puxam a renda, que se transforma em consumo, alavancando a produção industrial e investimentos privados.”
28% da renda - O Nordeste concentra 28% da população brasileira e mais da metade dos que recebem salário mínimo no Brasil. De 2003 a 2008, foram gerados na região 1,9 mil postos de trabalho com carteira assinada. O impacto direto da geração de emprego, segundo pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, refletiu-se no varejo, que cresceu 53% contra uma média nacional de 40%.
Outro fator relevante destacado por José Linhares é a inserção do Nordeste no novo mapa geográfico da base produtiva. Na década de 70, os estados nordestinos respondiam por 5,7% do valor da indústria de transformação nacional; em 2005, o índice saltou para 9,2%. “Novas bases produtivas estão sendo implantadas nas áreas de metalurgia, petróleo e gás, fruticultura, celulose, tecnologia da informação, grãos, siderurgia e turismo. A Vale já está chegando ao Ceará”, enumerou.
Alertas - No entanto, José Linhares também ressaltou dados que devem servir como alerta aos governos. A população do Nordeste representa 28% da brasileira, mas a região tem 49% dos pobres do País.
No outro extremo, prosseguiu, o Sul, que possui 15% da população, abrange 8% dos pobres. “Somente 43% dos jovens nordestinos entre 15 e 17 anos cursavam o ensino médio em 2007. Somente 7,5% dos jovens entre 18 e 24 anos frequentavam o ensino superior”, lamentou.
O analfabetismo na região é quase o dobro da média nacional, 9,2%, segundo levantamento do IBGE. Ainda segundo o instituto, o Nordeste tem a menor média de anos de estudo, 5,9 anos por pessoa. O índice nacional é 7,1 anos.
No entanto, analisou José Linhares, a maioria dos benefícios são carreados para a capital. “Os nossos governantes parecem desconhecer que 40% de nossa população habitam o semiárido”, alertou. O deputado reconheceu, porém, que alguns estados vêm mudando seu perfil, como é o caso do Ceará.
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