Esta matéria é do portal O Globo on line
TRÊS LAGOAS (MS) e BRASÍLIA - Em busca de uma aliança nacional com o PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que está disposto a não apoiar até mesmo o PT nas disputas aos governos estaduais caso o seu partido force uma divisão nos palanques regionais, o que prejudicaria diretamente a campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Após evento ao lado do governador do Mato Grosso do Sul, o peemedebista André Puccinelli, e do ex-governador do estado, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, Lula deixou claro que não participará de campanha em estados onde não se repetir a possível aliança com o PMDB. ( Leia também: Congresso do PT aprova prioridade total para campanha de Dilma em 2010 )
Não acredito muito na história de dois palanques. A gente tem que resolver o problema nacional, depois os estados
- A gente tem que resolver o problema nacional, depois os estados. Mas se em algum estado não tiver possibilidade de construir uma aliança, o que vai acontecer é que o presidente da República não participará da campanha naquele estado - disse ele, após uma visita à fábrica de celulose da Fíbria/Votorantim, em Três Lagoas (MS). ( Ouça trecho da entrevista de Lula )
- Não acredito muito na história de dois palanques - reiterou Lula, fazendo ainda um apelo a lideranças locais do PT: - Gastem os argumentos que tiverem que gastar para que possamos fazer uma aliança em todos os estados.
Em entrevista ao jornal "Estado de S. Paulo", publicada nesta sexta-feira, o presidente afirmou que Dilma também não poderá subir em dois palanques .
Mais tarde, durante discurso no 4º Congresso Nacional do PT na noite de sexta-feira, Lula voltou a defender que o PT invista numa política de alianças. Emocionado e ovacionado pela plateia lotada de delegados e militantes petistas, lembrou que sua eleição só foi possível depois de abrir-se para acordos com outros partidos. ( Mudanças aprovadas pelo congresso do PT deixam plano de governo de Dilma mais radical )
- Não queremos governar sozinhos, temos que ajudar outros partidos a ganhar governadores também. O PT tem força e só precisa descobrir que ele é grande. E quando a gente descobre que a gente é grande, a gente fica mais bondoso. A gente tem que repartir o poder com nossos os aliados - discursou Lula, de improviso.
- Minha eleição não foi obra de sorte, mas resultado de um aprendizado - completou.
Sem citar o PMDB, o presidente lembrou que ao chegar ao governo foi preciso dar um passo a mais, ampliando as alianças. E aproveitou para alfinetar a oposição, que em 2005, na crise do mensalão petista, apregoava o fim do PT.
- Até compreendo o ódio que têm do PT. Na crise de 2005 diziam que iam acabar com essa raça. Aqueles que queriam acabar, estão quase acabando - disse o presidente, numa referência ao mensalão do DEM e ao ex-presidente do PFL (hoje DEM) Jorge Bornhausen.
Lula diz que STF tem autoridade para decidir intervenção no DF
Ainda na viagem ao Mato Grosso do Sul, Lula desmentiu a informação de que teria aconselhado o governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), a permanecer no cargo . ( Ouça o que Lula disse sobre a conversa com Paulo Octávio )
- Ele já fez um desmentido. O problema é que quando vocês estabelecem uma nota, vocês não querem mudar. O que eu disse foi que o governo não podia tomar nenhuma decisão enquanto a Suprema Corte não decidisse o que vai acontecer com Brasília. Essa é a lógica. A Suprema Corte é que está com autoridade para dizer se vai ter ou não intervenção.
Não existe vontade pessoal do presidente. E se ele não der opinião, melhor ainda
Indagado se era a favor ou contra a intervenção, disse:
- Não existe vontade pessoal do presidente. E se ele (o próprio presidente) não der opinião, melhor ainda.
Depois de um discurso em que falou sobre a forma como o Brasil enfrentou a crise econômica do ano passado, com destaque à possibilidade de geração de empregos, fim da dívida com o FMI e o reflexo na auto-estima do brasileiro, o presidente falou sobre a informação de que ainda não havia respondido ao questionário sobre o mensalão do DEM , encaminhado pelo Superior Tribunal Federal (STF). ( Parecer da Procuradoria Geral da República defende que prisão de Arruda seja mantida )
- Isso é a Advocacia Geral da União que recebe, é o meu advogado. Quando ele preparar, a resposta estará lá. É a contribuição que queremos dar para o processo - disse ele.
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