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No país do rebolation
Carlos Alberto Alencar - Jornalista

Eu não sou nenhum entendido (no bom sentido) de música popular brasileira, que também não ocupa nenhuma escala de importância no universo da música pop. Então, elas por elas, escrever sobre música popular brasileira qualquer semianalfabeto o faz com relativa facilidade, tantos são os analfabetos que fazem essa dita tosca arte nacional. Contudo, neste carnaval, como dizia vovó Rita Lee: “Arrombou a festa”.

Sem falar na mesmice cansativa das alegorias esplendorosamente pobres de criatividade - mesmo com as caprichosas pinceladas hitech de glamour, purpurina e, sobretudo, belos corpos desnudos - e os trejeitos debiloides dos carnavais enlatados made in Globo, que a Big rede leva para dentro de nossas casas, de forma insistente, acintosa e desrespeitosa, a cada fevereiro. A turma do modismo carnavalesco, este ano, botou na rua o bloco do “rebolation” (não me perguntem que diabo é isso, porque eu também não sei!).

Pois é, o hit deste carnaval foi o “rebolation”. Imagine só, é a primeira “composição” de um negrão de quase dois metros de altura, jovem, bem alinhado e malhado, integrante de uma banda chamada Parangolé. Ele fez a fantástica revelação, em entrevista ao vivo para Rede Globo é óbvio, falando para todo o Brasil sobre o orgulho do “sucesso” de meia nota e um neologismo só, no camarim, fazendo aerosol, antes de entrar em cena no carnaval-axé, na Bahia de todos os santos, das Ivetes Sangalo e dos Chicletes com e sem Banana, que me perdoem os verdadeiramente santos.

E por falar em Sangalo, ela lançou um novo “sucesso”, competindo com o “rebolation”, que ameaça “vou te comer, vou te comer, vou te comer...”. De fato, gorda como uma mãe-de-santo, a rainha do axé deve mesmo estar comendo tudo quanto é porcaria. Vai comer o Brasil inteiro e explodirá gloriosamente Dona Redonda, Saramandaia, do saudoso Dias Gomes. Diante de dilema atroz, entre “rebolation” e a insaciável Chapeuzinho Ivete Vermelho, forçado, termino lembrando os tempos das abundantes louras do tchan e da boquinha da garrafa.

Ou o “rebolation” e o “vou te comer” seriam a “evolução” das louras bundudas do tchan e da boquinha da garrafa? Sei lá, mas os dois dilemas são dramáticos, aliás, como todas as tragicomédias que vêm assolando o País, nos últimos carnavais de triste memória, em todos os campos, inclusive das metáforas futebolísticas que rolam nos gramados rasteiros da política nacional. Pobre Brasil, meu Brasil Brasileirinho, terra de Nosso Senhor, como “chorou” Waldir Azevedo em seus versos.

Carlos Alberto Alencar é jornalista e editor-chefe do Jornal O Estado

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