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Praias de Aquiraz não têm estrutura para o turismo



Apenas em um trecho da Avenida Beira-Mar, da Prainha, existe calçamento. No outro, o acesso continua com piçarra. Quando chove, os carros não conseguem passar pelo local



A praia do Presídio, em Aquiraz, é um dos cartões postais do Estado do Ceará. No entanto, está sem estrutura para os turista. Um dos problemas é com a coleta de lixo
ALANA ANDRADE
Além do Porto das Dunas, praias do Presídio e Prainha, em Aquiraz, estão sem qualidade para elevar o setor turístico

Aquiraz. Os poucos quilômetros de distância que separam as praias do Presídio e Prainha, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, não diferem quanto à infraestrutura. Os dois destinos, do Litoral Leste cearense, apresentam os mesmos problemas: falta de saneamento básico, segurança e pavimentação. Mesmo sendo considerados destinos turísticos reconhecidos internacionalmente, falta muito para que as duas praias adquiram essa qualidade.

Embora Presídio e Prainha recebam investimentos para alavancar o turismo, com a implantação de rede hoteleira, verifica-se que as duas vilas litorâneas permanecerão deficitárias de serviços básicos. Os investimentos não chegarão para as duas praias e, cada vez mais, os moradores ficarão distantes da realidade construída tanto no Presídio quanto na Prainha.

Saneamento

Os moradores dos dois destinos reclamam da falta de saneamento básico. A previsão é de que daqui há 10 anos será inviável cavar poço em detrimento da contaminação do lençol freático. O empresário e proprietário do Jangadeiro Praia Hotel, na Praia do Presídio, Luis Studart Júnior, diz que esse é um problema que se arrasta há muito tempo, principalmente, porque o loteamento do Presídio foi feito de maneira irregular. "Os loteamentos eram feitos com a mínima estrutura e as casas foram construídas sem saneamento", comenta o empresário. Com isso, a consequência é que todas as fossas residenciais acabam por prejudicar o lençol freático do litoral.

"O poço profundo do hotel é construído no centro, livre de contaminação porque faço os testes", destaca. Mesmo assim, ele afirma que, nestas condições, a água do Presídio está contaminada com coliformes fecais. "Existe apenas um projeto de água, mas não de saneamento básico. Com o tempo, ficará saturado porque algumas pessoas passam a morar no Presídio pela proximidade com Fortaleza", destaca.

Compromisso

Para a recepcionista do Hotel Don´Ana, Lídia Nascimento, é preciso que o gestor tenha mais compromisso ao olhar para o Distrito de Iguape, onde está localizada a Praia do Presídio. De acordo com ela, além da falta de infraestrutura, o litoral carece de um projeto para alavancar o turismo na região. "Os hóspedes reclamam porque não há o que fazer. Se quiserem algo, como almoço, jantar, um bar cultural, têm que sair do distrito", diz.

O morador e eletricista Nildo Pereira Xavier, casado e pai de três filhas, mora na Praia do Presídio há 11 anos e não vê mudanças acontecerem na localidade desde esse tempo. "A minha principal reclamação é com relação ao lixo. Uma vez por semana, o caminhão passa, mas ainda a coleta não é satisfatória", afirma ele.

O desabafo do morador é verídico. Em vários pontos foram constatados amontoados de lixo. O problema ocorre devido à falta de contêineres.

Insegurança

Além disso, ele conta que quando começou a morar na Praia do Presídio a localidade era tranquila. "Hoje, está muito inseguro. Acredito que sejam pessoas de fora que vêm pra cá. Os daqui não fazem isso não", conta.

De acordo com sua esposa, Rosiane Bezerra Silva, outra dificuldade que existe no local está relacionada ao transporte público. "Antes tinha um ônibus que entrava, mas, agora, se a gente tiver que ir para Aquiraz, tem que caminhar até a pista", conta a moradora.

Enquete
Insatisfação

"Os loteamentos eram feitos com a mínima estrutura e as casas foram construídas sem saneamento"
Luis Studart Júnior
Empresário na Praia do Presídio

"Quando chove, não tem condições de passar carro. As barracas precisam de saneamento, pois o que existe é clandestino"
Antônio Raimundo Lima
Gerente de barraca na Prainha

"Falta uma estrutura de lazer para os turistas. Eles reclamam que tudo fica longe e é de difícil acesso"
Lídia Nascimento
Recepcionista

"A situação da Praia do Presídio é caótica. Não se desenvolve com o passar do tempo. Falta estrutura até para as crianças"
Carol Monteiro
Agente de organização escolar

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Aquiraz
Av. Vila Lobo, S/N, Tabajara
(85) 3361.1864
www.aquiraz.ce.gov.br

PRAINHA
Donos de barracas pedem apoio

Aquiraz. No litoral da Prainha, por mais que haja mansões no mesmo padrão da Praia do Presídio, a situação de iluminação pública e pavimentação é sanada. Porém, o problema torna-se mais visível porque afeta diretamente o turismo na região. É na orla, onde ficam localizadas as barracas de praia, a maior demanda de infraestrutura.

Os proprietários de barracas reclamam que não existe um projeto a curto prazo para mudar a realidade do litoral. O que existia, intitulado Projeto Orla, há 10 anos encontra-se defasado. De acordo com a representante dos proprietários de barracas da Praia da Prainha, Terezinha Queiroz, não existe projetos em parceria com a Prefeitura de Aquiraz para melhorar a condição do turismo no local.

"O que precisamos de imediato é regularizar a coleta de lixo. É preciso que haja uma conscientização para uma coleta seletiva. Outro pleito é que deve existir um projeto para melhorar a estrutura das barracas. Umas barracas são menores e outras maiores. Acho que a Prefeitura deveria chegar junto para viabilizar um projeto conjunto", diz Terezinha.

Além disso, apesar de o acesso às barracas ter melhorado bastante, ainda é preciso que haja uma pavimentação adequada. Em apenas em um trecho da Avenida Beira-Mar existe calçamento. No outro, o acesso continua com piçarra. O gerente da Barraca Mar & Sol, Antônio Raimundo Lima Lemos, reclama que a pavimentação para no início do empreendimento e continua próximo ao Ytacaranha. "Quando chove, não tem condições de passar carro. Além disso, as barracas precisam de saneamento, porque o que existe é clandestino", diz.

Terezinha completa que "existem apenas fossas e que o esgoto das barracas geralmente escorre para as barracas vizinhas". Confirma ainda que a precariedade no turismo na região também afeta o Centro das Rendeiras. Há mais de três anos as profissionais reivindicam a construção do centro que continua sem previsão.

A reportagem tentou contato, desde a última terça-feira, com a Prefeitura de Aquiraz, mas não obteve respostas sobre a situação da falta de infraestrutura nas praias do Presídio e Prainha. A secretária do Prefeito, Edson Sá, identificada por Débora Saraiva, informou que o gestor participava de uma reunião. Disse que o chefe de gabinete, Alisson Sá, filho do prefeito, concederia a entrevista. Mas não aconteceu. Em contato na quarta-feira e na quinta-feira, os telefones não atenderam.

Maurício Vieira
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Um comentário:

  1. Prefeito devagar esse de Aquiraz, até agora não vi ele fazendo nada!

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