Coluna do blog
A reportagem que (ainda) não fiz
É cabotino falar de si. Contar de si, nem tanto. Lá, muito atrás no tempo, fiz o diabo no rádio, inventando transmissões usando arame farpado como antena de rádio-amador, fio único de telégrafo dos correios, rádio da estrada de ferro, linhas puxadas de quilômetros em estradas e cidades. Mais pra cá, fiz reportagens de jornal que viraram livro e novela de rádio, quando contei a vida de Zé Arigó.
Da seca ouvi de cavalo que pedia água batendo na porta de casebre e da cheia ouvi o choro de quem perdia os únicos e miseráveis teréns. E rodei o mundo. Acompanhei a vida, o sucesso e a morte de estadistas, reis, rainhas e presidentes. Tanto os vi na luta pelo poder como seus caminhos ao túmulo, aqui, em Londres, Washington ou Assaré, com uma saudade doída do canto do Patativa. Tancredo, Ulisses, Virgílio, Dy. E vi o Papa na Cuba comunista e tantas vezes na janela do Vaticano ou no Salão Oval. Caminhei tantos caminhos à cata da reportagem que esbarrei primeiro que todo mundo de tv, nas dunas de Jeri, e morri de medo de motores parados de aviões pra ver o milagre da irrigação. E briguei pela notícia e por ela fiz tantos amigos e nem tantos inimigos. São 50 anos. Do futebol ao crime, da realeza à miséria, do sagrado ao anti-cristo, da dor ao prazer. Um sertanejo rijo chorar por aboiar de bicicleta porque seu parceiro-cavalo tinha sede, dói. Uma rainha passar incólume pelo enterro da nora, bole. Um rei servir meu copo de vinho ou um presidente dividir a penúltima dose de uísque, foi humilde e parceiro. Ví muito. Mortos redivivos em terremoto. A nação se expondo ao mundo, como a criação do Mercosul, passo a passo. Escrevi de tudo e contaria laudas das dores e prazeres da reportagem. Mas não escrevi, ainda, sobre a solidariedade universal como a que acabo de ver horas a fio do fundo da fianga, com a alma e o coração no deserto, do fundo da terra para a sensibilidade de quem decide por salvar vidas. Não fui ao Chile, não pude ir ao Chile, mas meu ser repórter desceu e subiu tantas vezes naquela cápsula que agora penitencio a ausência neste texto insosso para lamentar não ter estado junto a um dos momentos mais sublimes da humanidade, o respeito e a solidariedade pela vida. Se eu me for agora terei deixado um currículo capenga e uma mensagem ao jovens repórteres: persigam, campeiem, escrevam sobre a solidariedade que encontrarem em seus caminhos. O mais não vale nada, terá sido só notícia.
Apelo tucano
Evangélicos estão recebendo “santinhos” com a foto e a assinatu ra do presidenciável, com a frase “Jesus é a verdade e a justiça”. Do outro lado do cartão, a inscrição é “Serra é do bem. Vote 45”. Uma mistura oportunista que se apõe num debate que deixa política administrativa de lado.
• POVIM CURIOSO -
Teve gente que saiu de Fortaleza sábado bem cedinho só pra ver o dr. Lúcio, o Marcos Cals e o dr. Tasso, tudo no palanque do Zé Serra.
• CAMPEONATO -
Guto Benevides, aquele das Curtições, acaba de reunir velhos companheiros para uma discussão sobre a formatação de um campeonato mundial de cangapé na Lagoa de Messejana.
• GENEROSIDADE -
Julinho Ventura abriu mão da suplência de senador do Sr. Eunício Oliveira para não complicar as coisas com o PT. Disso pouca gente sabia.
• CATUNDA LEMBRA -
A danadíssima secretária Fátima Catunda, do Trabalho e Ação Social do Governo, lembra: “esses trabalhos aí no campo social federal tiveram início aqui no Ceará ao tempo de d. Luiza Távora”.
• LAGOA SECA -
O açude Jaibaras, da bacia do Acaraú está quase seco. As 40 gaiolas de criação de talápia do Nilo muito provavelmente sejam transferidas pro Araras. Peixe morre em água poluída. Não choveu.
Difícil entender
Os tucanos queriam brigar e se não seguram o dr. Tasso iria peitar o padre. Na missa de São Francisco do Canindé.
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Pompeu
ResponderExcluirEstou no Chile e já que vc não pode estar aqui, levo um vinho chileno para vc degustar com uma daquelas receitas q trocamos. Só para fazer inveja ao Comandante....rsrsrsr
Querido amigo,
ResponderExcluirprimeiro muito obrigado pela leitura qualificada e, ainda mais, de lugar tão agradavel como Santiago e periferia. Por favor, procure um Carmem 2000, pra mim o melhor, ou um dos melhores da uva Carmenére e beba por mim. Beba uma por voce e duas por mim que adoro esse vinho. Lembro que aí tem umas comidinhas à base de camarão que são divinas.
Volte logo que estou tambem com o pé no estribo.
Grande abraço, feliz do blogueiro.