A formação médica no Ceará expõe contrastes na formação médica após estreia do Enamed
O Ceará aparece com destaque e também com alerta no balanço da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). Enquanto instituições do estado figuram entre as mais bem avaliadas do país, ao menos um curso cearense entrou no grupo com desempenho insuficiente, que poderá sofrer restrições administrativas.
Aplicado em 2025, o Enamed foi criado para medir a qualidade da formação médica no Brasil a partir do desempenho de estudantes concluintes. A avaliação atribui conceitos de 1 a 5, sendo que notas abaixo de 3 colocam os cursos sob monitoramento do MEC. Instituições mal avaliadas podem enfrentar limitação de vagas, suspensão de acesso ao Fies e outras medidas corretivas.
No recorte estadual, cursos ofertados por universidades públicas e comunitárias do Ceará obtiveram conceito máximo, reforçando o bom desempenho de parte da rede local. Outras instituições ficaram em faixas intermediárias, enquanto uma faculdade privada recebeu nota 2, classificação considerada insatisfatória pelo Ministério da Educação.
Confira as faculdades avaliadas no Ceará:
Universidade Estadual do Ceará (Uece) – 5
Universidade Federal do Ceará (UFC) Fortaleza – 5
Centro Universitário Christus (Unichristus) – 5
Universidade de Fortaleza (Unifor) – 4
Universidade Federal do Ceará (UFC) Sobral – 4
Universidade Federal do Cariri (UFCA) – 4
Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte (Estácio FMJ) – 3
Centro Universitário Inta (Uninta) – 3
Faculdade Estácio de Canindé – 2
O exame avaliou 351 cursos de Medicina em todo o país, sob coordenação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Desse total, 107 cursos ficaram nas faixas mais baixas, mas apenas aqueles vinculados ao Sistema Federal de Ensino — universidades federais e instituições privadas — poderão sofrer sanções, o que atinge 99 cursos.
Durante a apresentação dos resultados, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o Enamed passa a ser um instrumento permanente de acompanhamento da qualidade do ensino médico. Segundo ele, o exame amplia o modelo do Enade e terá periodicidade anual, permitindo intervenções mais rápidas em cursos com desempenho insatisfatório.
Dados nacionais mostram que a avaliação contou com 89 mil inscritos, entre estudantes e profissionais da área. Entre os concluintes, a maioria era de instituições privadas. Ainda assim, os melhores resultados médios foram registrados entre estudantes de universidades estaduais e federais, enquanto os piores desempenhos ficaram concentrados na rede municipal e em faculdades privadas com fins lucrativos.
Em nota divulgada após a publicação do resultado, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que algumas instituições questionam possíveis inconsistências técnicas nos dados utilizados pelo Inep e que pediu esclarecimentos formais ao MEC.
O que muda para os cursos com nota baixa
O Ministério da Educação informou que os cursos classificados como insatisfatórios serão submetidos a processo administrativo de supervisão, com direito à defesa. As medidas cautelares serão aplicadas de forma gradual e permanecem válidas até a divulgação do Conceito Enade 2026, prevista para o próximo ciclo avaliativo.
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