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Coluna do Macário Batista em 15 de fevereiro de 2026
Segurança das mulheres no Carnaval exige ação coletiva; conheça 5 formas de intervir em situações de assédio
- Enquanto foliões de todo o país se preparam para o Carnaval e são divulgadas campanhas de conscientização sobre assédio e abuso sexual durante festas e blocos, o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, lançado no final de 2025 pelo Instituto Natura e Avon, chama a atenção para a falta de informação sobre intervenção de terceiros em situações de violência contra mulheres. O Índice, baseado na escuta de brasileiros das cinco regiões do país, revela um cenário contraditório e preocupante: embora 96% das pessoas reconheçam ter responsabilidade diante do problema social que é a violência contra mulheres, 62% não sabem identificar e/ou agir diante de casos do tipo e 50% já deixaram de intervir em situações reais por medo de serem prejudicados. Essa omissão, segundo Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura, pode potencializar os riscos de escalada da violência, além de colaborar para a normalização de abusos. Esta normalização, inclusive, é o que torna o crime de importunação sexual comum no Brasil não só no Carnaval, mas durante todo o ano. “Violência contra mulheres no Carnaval não é exceção, nem ‘desvio de festa’: é expressão de desigualdades estruturais que atravessam o espaço público, o lazer e o corpo das mulheres. O Carnaval não cria a violência, mas amplifica práticas já naturalizadas, e é preciso reforçar que a suspensão simbólica das regras sociais não suspende direitos”, diz a especialista.
Para Beatriz, focar em como a mulher pode se proteger de situações de violência no Carnaval, como evitar ficar sozinha em meio à multidão, é um equívoco. "Não é o álcool, nem o figurino, nem o 'clima de festa' que causa a violência. Ao focar no comportamento individual da vítima, ignoramos que a segurança da mulher na folia depende, na verdade, de infraestrutura urbana, serviços públicos preparados e uma mudança cultural sobre o consentimento”, destaca.
A frase: "Neste Carnaval, o Índice de Conscientização sobre Violência Contra Mulheres do Instituto Natura reforça que campanhas pelo fim da violência contra mulheres são importantes: apesar de recorrentes neste período do ano, 40% dos brasileiros dizem que não se lembram de terem visto campanhas sobre o tema nos últimos 12 meses (o questionário foi aplicado entre junho e agosto de 2025)". O foco deve ir além do que é ou não violência e como evitá-la, chegando ao debate sobre como ajudar mulheres nesta situação.
Baixo nivel de informação (Nota da foto)
Somente 29% dos participantes da primeira pesquisa para o Índice, que deve ser atualizado anualmente, demonstraram conscientização “alta” ou “muito alta” sobre leis, serviços de apoio e conduta adequada em situações de violência contra mulheres, enquanto 28% demonstraram conscientização “baixa” ou “muito baixa” a respeito. “O foco tem que sair da vítima e ir para a testemunha ativa”, afirma Beatriz Accioly. “Intervir não é só confrontar, é também ativar a rede e apoiar”, resume a especialista.
Formas de intervir
Conheça formas de intervir em situações de violência contra a mulher em ambientes de festa sem agravar riscos:Saiba reconhecer e divulgue para seus amigos os sinais para pedir ajuda discretamente, como o gesto de abrir e fechar a mão com o polegar centralizado à palma.
Como deixar a festa
Organize saídas coletivas, pontos de encontro e redes de cuidado entre amigos. Utilize a técnica da distração: ao ver uma mulher em situação suspeita, finja que conhece a vítima e ofereça ajuda para se afastar do suposto agressor de maneira discreta, abordado-a com algo como "Oi, amiga, estava te procurando! Vamos ao banheiro juntas?" ou “Oi, prima, estamos indo para outro local. Vamos juntos?”;
Acione seguranças ou policiais
Atenção ao consentimento vulnerável: se a mulher está visivelmente embriagada, ela não pode consentir. Amigos e desconhecidos devem atuar como barreira de proteção, evitando o contato de estranhos à mulher. Segundo a especialista, é preciso também compreender o limite entre paquera e importunação ou assédio, assim como distinguir as manifestações de violência. O "não é não" é uma conquista cultural recente que precisa ser reforçada por políticas públicas, diferenciando que:
Paquera é consentida
Importunação sexual é o "beijo roubado", a “mão boba” ou toques não autorizados em espaços públicos e configura crime; Estupro de vulnerável é quando a vítima não tem capacidade de consentir um ato sexual.
Por fim...
Beatriz Accioly explica que diferentes tipos de violência continuam ocorrendo durante o Carnaval. "É um erro focar apenas no assédio que pode acontecer em espaços públicos - no bloco, no clube, na avenida - e esquecer que a violência doméstica, infelizmente, continua ocorrendo entre quatro paredes, mesmo durante todos os dias de festa", conclui.
Sair da omissão
As situações podem acontecer tanto no espaço público quanto no ambiente privado, por isso, a recomendação da especialista é que, ao testemunhar qualquer ato violento, todas as pessoas saiam da posição de omissão e passem a intervir de forma ativa - mas sem se arriscar ou confrontar o agressor - na proteção e acolhimento das mulheres.

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