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Startups do Nordeste ganham escala e atraem aquisições internacionais

A LightHouse, que lançou seu primeiro fundo em 2023 com capital autorizado de R$ 100 milhões, já realizou sete investimentos, e projeta alcançar 16, na região nordeste. Resultados iniciais promissores confirmam a tese e a Trackfy é um exemplo disso: a startup firmou acordo internacional de fusão com grupo do Oriente Médio
De cada quatro startups do Brasil, uma está no Nordeste. A região abriga também 15% dos parques tecnológicos do país, entre aqueles em operação ou em implantação. Os dados são, respectivamente, do Sebrae Startups Report e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O protagonismo é recente, fruto de movimentos intensificados da década passada para cá.
Um dos atores que têm apostado e contribuído para o impulsionamento do setor de inovação do Nordeste é a LightHouse, casa de investimentos com foco em negócios na região e também no Norte. Para se ter uma ideia, desde 2023 a Lighthouse já colocou em operação dois fundos de investimento em participações (FIP), que somam R$ 150 milhões de capital autorizado e segue estruturando novos veículos.
O primeiro deles, o FIP LH Tech Ventures, com R$ 100 milhões de capital autorizado, deve chegar a 16 startups contempladas, segundo um dos sócios da casa de investimentos, Alexandre Darzé. Sete já foram impulsionadas pela LightHouse, entre elas, uma startup baiana que está alcançando o mundo.
Trata-se da Trackfy, pioneira no uso de Internet das Coisas (IoT) e análise de dados para a gestão de equipes em canteiros de obras e plantas industriais. Recentemente, em acordo de troca de ações, a startup nordestina foi incorporada pela WakeCap, da Arábia Saudita, e passa a compor um grupo com operação internacional relevante.
“Juntas, as empresas consolidam a maior plataforma global de inteligência para gestão de equipes em campo, atuando em projetos ativos ao redor do mundo com valor superior a US$ 120 bilhões”, celebra o fundador da Trackfy, o baiano Túlio Cerviño. Agora, ele se torna CEO Latam (mercado latino-americano) e vice-presidente global de operações industriais da WakeCap.
De acordo com Flavio Marinho, sócio e diretor da LightHouse, o case da Trackfy demonstra como a combinação potencial de inovação e liquidez — ou seja, o aporte de recursos para fomentar o empreendedorismo — é fundamental. Foi para completar essa equação que a Lighthouse foi constituída em 2017. Atualmente, tem sede em Salvador e escritórios em Recife, em São Paulo e também está se instalando em Manaus.
Flavio Marinho, sócio e diretor da LightHouse
“A casa de investimentos nasceu com o propósito de ampliar o volume de capital de risco qualificado em regiões onde a oferta é estruturalmente limitada e onde bons negócios frequentemente esbarram na falta de financiamento adequado. A percepção era de que não faltava criatividade nem disposição para empreender entre os empresários locais. O que acontecia é que faltava dinheiro para a operação, já que as startups do Nordeste não acessavam fundos de investimento do Sudeste”, pontua Marinho.

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