A memória é um armário cheio de bregueços, entupido de coisas antigas encostadas nos cantos como sem nenhuma validade. Aí, como do nada , luzes gritam, piscam , choram e pedem algum bem que não estará a mão. Sem recorrer nem remexer uma gaveta, aparece o guardado. Nem sempre é o que a gente quer , mas o que precisa. Acordar virgem de ideia, por exemplo, castiga a mente vivida, muitas vezes passada na casca do alho. Foi nessa aridez que encontrei um velho causo. Pinto da Paraíba fazia glosa no bar do Neudes em Limoeiro do Norte. Bulia alegre e irreverente com os clientes. Eis que entra o delegado. Militar. Fardado. Galões de tenente nos ombros. Enorme. 1,90 e parecia maior. Cara amarrada de autoridade quase máxima de interior. Pinto bate a viola e canta: Mais um galão merece esse Tenente. Antipático e autoritário o fardado reclama: Me respeite que não gosto de vagabundo. Pinto, ferido, deu o troco: *Mas o galão que falo , é um galão diferente, é um pau com duas latas , uma atrás outra na frente. Não precisa dizer onde o cantador dormiu naquela noite.
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