Censura na UFC

 Diretor da Rádio Universitária FM denuncia caso de censura

Uma nota divulgada pelo Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que o professor Nonato Lima, que dirigia a Rádio Universitária FM e, há 26 anos, produzia o programa “Rádio Livre”, voltado para o tratamento crítico de temas de relevância pública, foi exonerado do cargo de diretor por resistir à “censura imposta pela administração superior da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC), a qual a rádio é vinculada”.

Foto: Reprodução/Instagram

O professor, por sua vez, acredita que a FCPC não acolheu princípios que regem o funcionamento da Rádio Universitária FM como a valorização da arte e cultura regionais e a produção de um jornalismo “independente, crítico e democrático”. “A direção da fundação tentou impor censura à programação. Censura esta que começa com o meu programa, que inclusive foi obrigado a sair do ar. A programação jornalística da rádio e a programação musical também estão ameaçadas”, explica. Segundo ele, a direção da fundação estabeleceu restrições à veiculação de música. “Músicas que tenham referências a nossa história e nossa realidade espiritual-religiosa, como as músicas que tem alguma inspiração da religiosidade afro  são claramente contestadas e não aceitas pela fundação”, detalha.

De acordo com a nota do Curso de Jornalismo, também foi sugerido que houvesse a inclusão na programação de discussões que incluíssem “pontos de vista de negacionistas e de extremistas de ultra-direita”. Nonato Lima afirma que manifestou que não concorda com as novas regras. “Censura não está prevista na constituição, há liberdade de exercício profissional e liberdade de expressão. É importante que a sociedade tome conhecimento disso. É uma rádio pública, uma rádio importante que tem uma contribuição e um exemplo a dar. Esse exemplo deve ser a comunicação democrática e o respeito aos nossos valores culturais, artísticos e a informação plural”, pontua.

O Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) também manifestou publicamente o seu apoio ao professor Nonato. “A saída dele e o anunciado fim do seu programa são o ápice de uma sanha totalitária que se espalha pelo país e atinge, agora, a referência maior da comunicação da nossa universidade pública no Ceará. Essa agressão exige ato de desagravo em respeito à sua história e à da Rádio Universitária FM. A gente está no ar para ser livre”, dizia o comunicado.

O Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC) emitiu uma nota de solidariedade ao professor. “Em toda a história da Rádio Universitária, fundada em 1981, não se tem notícia de interferências abusivas desse tipo, caracterizadas como censura e com graves indícios de racismo e intolerância religiosa. É óbvio que, sem a chancela da intervenção na UFC, a permanência do presidente da FCPC no cargo seria hoje insustentável”, defendeu.

Até o momento de publicação desta reportagem, a FCPC não havia respondido a solicitação de nota.

Por Yasmim Rodrigues

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