Os sinais opacos da política no Ceará
O ano que antecede o período eleitoral e as eleições de 2026 começou com intensidade. Reuniões, encontros, filiações partidárias e mensagens transmitidas por jornais, rádios, gestos discretos e conversas de bastidores marcaram os primeiros meses. Tudo isso mirando não o presente, mas o embate eleitoral que se aproxima.
Com o tempo, porém, alguém percebeu o óbvio: a distância até 2026 ainda é grande. O esforço parecia desproporcional. O combustível gasto, os deslocamentos, as falas repetidas em diferentes emissoras de rádio e a ausência de efeitos concretos nos arranjos políticos locais geraram desânimo.
Nos últimos dias, contudo, o movimento recomeçou. Agora, por vias indiretas. Observam-se fotos, desfiliações e novas filiações. Circulam mensagens, comentários e sinais vindos de todos os cantos: do Beco do Cotovelo, da Praça Padre Cícero, do Parque da Cidade, da Praça do Ferreira, do Boqueirão e da Chapada dos Sonhos, dentro do campo governista.
À margem, seguem os descontentes. Seu principal argumento de mobilização é a crítica à Segurança Pública. Não está claro se desejam que a situação melhore ou se preferem que permaneça como está, para manter a repercussão nas redes, os compartilhamentos, as críticas e, possivelmente, alguns votos. A lógica é simples: quem está dentro quer continuar; quem está fora quer entrar, ainda que o custo recaia sobre o sofrimento da população cearense.
É preciso, entretanto, ir além das denúncias. É preciso projetos de poder e de governança de verdade. Afinal, como lembrava o professor Magno nas aulas de Sociologia, "quem critica tem o dever de apresentar soluções". Caso contrário, corre o risco de, no futuro, ser vítima do mesmo caos que reclamam e da mesma desinformação que ajudou a alimentar em benefício próprio.
Por Fabricio Moreira
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