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Cursos de medicina no Ceará


O MEC mandou avaliar cursos de medicina pelo Brasil, depois que virou praga suas instalações. A jornalista Elizabeth Rebouças, do jornal OEstadoCe, observou atentamente o comportamento do levantamento no Ceará e foi ao campo. Veja ai o relato de seu trabalho.

Universidades mal avaliadas resultam da abertura de curso de medicina sem critérios
Médicos políticos dizem que é urgente a necessidade de mais critério e compromisso com a formação médica de qualidade
Três em cada dez cursos de medicina do país não atingem um conceito satisfatório na prova que mede a qualidade da formação. Foram quase 14 mil formandos de medicina com conceitos abaixo da média no país em 99 cursos com nota dois e um entre as quais a Faculdade Estácio de Canindé, – privada com fins lucrativos – no Ceará, poderá sofrer sanções e uma delas é que haverá supervisão pelo Ministério.
Esses dados são do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado pelo Inep, na segunda-feira (19).
No Ceará, universidades públicas e comunitárias concentraram as melhores notas, enquanto parte das instituições privadas teve desempenho inferior.
A Universidade Estadual do Ceará (Uece) obteve a nota máxima, 5, assim como a Universidade Federal do Ceará (UFC) Fortaleza e o Centro Universitário Christus (Unichristus).
A Universidade de Fortaleza (Unifor) vem logo abaixo com nota 4, bem como a sede em Sobral da Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Federal do Cariri (UFCA).
Com nota intermediária 3, ficaram as Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte (Estácio FMJ) e o Centro Universitário Inta (Uninta).
O presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, alerta para esse mau desempenho principalmente do ensino privado e enalteceu o Mec e a Justiça que não se curvaram e divulgaram o resultado para conhecimento de todos.
Em nota, o Conselho afirmou que o resultado do Enamed/MEC mostra que a expansão acelerada de cursos, especialmente no setor privado, não foi acompanhada de critérios mínimos de qualidade, infraestrutura e campo de prática adequados.
O deputado estadual Heitor Férrer (União Brasil) concorda com a preocupação de Gallo e disse que a disseminação das faculdades de medicina sem critérios é um desserviço. Que a formação médica não pode ser tratada como experimento político. E que a abertura sem critério de cursos de medicina cobra um preço alto: 32% das faculdades tiveram desempenho insuficiente no Enamed.
No entender do deputado, que é médico, “isso não é só um problema educacional. É um risco à saúde pública. É urgente mais critério, mais compromisso real com a formação médica de qualidade. Isso é uma política equivocada, uma tragédia nacional”. Heitor frisou que é pior ter médico mal formado a não ter médico, porque se eles são incapazes, a vida do paciente fica em risco. E alerta o ministro Camilo Santana (Educação) para a gravidade da situação.
O ex-prefeito de Fortaleza, médico ginecologista com 42 anos de formação, José Sarto, atual presidente do PSDB da capital, defende que os cursos de medicina sejam autorizados pelo Conselho Federal, evitando assim essa explosão de cursos com alunos sem proficiência.
Sarto acha importante ampliar o tempo da residência médica e que seja feito “um estudo profundo sobre os vazios que temos”. Ele questiona o fato de algumas faculdades não terem hospitais e cenários de prática clínica como ambulatórios e postos de saúde para o aprendizado prático. A maioria, explicou Sarto, aprende apenas com bonecos, quando o ideal é ver o corpo humano.
Em nota, a Associação Nacional das Universidades Particulares, disse que “aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados”.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior pediu que os resultados do Enamed 2025 sejam tratados exclusivamente como diagnóstico inicial, voltados ao aperfeiçoamento das próximas edições, com a suspensão imediata dos efeitos punitivos anunciados.
A avaliação atribui conceitos de 1 a 5, sendo que notas abaixo de 3 colocam os cursos sob monitoramento do MEC. Instituições mal avaliadas podem enfrentar limitação de vagas, suspensão de acesso ao Fies e outras medidas corretivas.
Durante o anúncio, o ministro Camilo Santana disse que os cursos serão avaliados anualmente, antes eram de 3 em 3 anos e que o objetivo não é de prejudicar, mas “garantir que as universidades ofereçam qualidade”.
Por Elizabeth Rebouças

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