Afonso Alcântara
Com Carlos Madeiro
Uma rede social desenvolvida no Ceará, que já superou a marca de 4,7 milhões de contas cadastradas, aposta em um modelo alternativo às grandes plataformas globais ao priorizar a entrega cronológica de conteúdo e reduzir a influência de algoritmos.
A Poosting foi criada por Afonso Alcântara, 38, formado em redes de computadores e análise de sistemas. Ele conta que a inspiração para criar a rede veio do Orkut, que "foi embora sem ter de ir".
"Estudando a história do Orkut, vimos que o que aconteceu: ele acabou morto porque não era grande o suficiente para a empresa [Google], mas todo mundo gostava e tem saudade", diz.
Uma das inspirações da Poosting foi o resgate das comunidades, uma das marcas mais conhecidas —e queridas— do Orkut.
Afonso é diretor de uma agência de marketing digital há 11 anos; Quando começou, as redes sociais tinham influência menor no dia a dia das pessoas. "A gente atua desde que as redes não tinham tráfego pago. Fomos estudando o que as pessoas estão querendo, e criei o Poosting baseado nessas lacunas".
A principal diferença da rede, segundo ele, está na forma de entrega dos conteúdos, feita de maneira massiva e prioritariamente cronológica. "Não temos algoritmo de influenciador, e assim o feed está ao alcance todo mundo. Não tem como entregar mais conteúdo de a ou b.".
Polarização
Uma das questões centrais que a Poosting tenta enfrentar, afirma Afonso, é a forma como os conteúdos são distribuídos nas grandes plataformas. "Nas outras redes, o algoritmo decide o que você vai ver", diz.
"A Poosting foi feit para dar controle ao usuário do que ele quer ver e interagir, algo que a gente perdeu ao longo dos anos."
Afonso Alcântara
Afonso acredita que há um público crescente que não quer mais ser influenciado por esse modelo e avalia que períodos eleitorais podem contribuir para a consolidação da rede.
"Na minha opinião, isso foi quem criou essa bipolarização no país por conta da massificação do conteúdo: a pessoa vê apenas coisas de um lado, acha que é a pura verdade e entra o extremismo. Isso gera uma tendência muito forte, e o psicológico fica afetado".
Ele afirma que o uso de algoritmos para a entrega de conteúdo começou a se intensificar a partir de 2008. "Antes disso tínhamos um feed de entrega orgânica, e não existia tanto essa polarização como hoje"
No caso da Poosting, a lógica se baseia apenas no consumo do próprio usuário. A rede também oferece a possibilidade de uma página inicial composta apenas por postagens de amigos. "O que faz um usuário se destacar dentro da Poosting é a interação massiva, não quem segue. Valorizamos assim quem passa mais tempo dentro da plataforma: é ele que tende a ser influenciador dentro dessa rede social. Assim, as pessoas têm mais voz.".
Parceria com o Google
Em março de 2025, a empresa foi convidada a integrar o programa Google for Startups Cloudcom e recebeu R$ 1,5 milhão em créditos para serviços de computação em nuvem, além de suporte técnico, mentoria e ferramentas de inteligência artificial e análise de dados.
Atualmente, os dados da Poosting estão armazenados em um dos data centers do Google na Califórnia. "O Brasil ainda não tem infraestrutura para arcar com um data center desse porte. Estamos falando em algo em torno de 60 GB por segundo. Aqui em Fortaleza não tem link que forneça isso".
Com a hospedagem na big tech fora do país, a rede conseguiu estabilidade e evitar quedas no acesso dos usuários. "A gente não estava preparado, a rede viralizou e tivemos de consertar o foguete quando estava no ar. Fomos fazendo escutas e recebendo feedbacks para ir moldando a rede", conta.
Novos usuários apenas por convite
Devido ao grande volume de usuários —e ao consequente tráfego de dados— a Poosting passou a limitar novos cadastros. Atualmente, apenas pessoas convidadas por usuários já cadastrados podem criar uma conta. "A ideia é não explodir demais e criar uma bolha. Para a gente, não é saudável crescer mais rápido".
Novos usuários apenas por convite
Devido ao grande volume de usuários —e ao consequente tráfego de dados— a Poosting passou a limitar novos cadastros. Atualmente, apenas pessoas convidadas por usuários já cadastrados podem criar uma conta. "A ideia é não explodir demais e criar uma bolha. Para a gente, não é saudável crescer mais rápido".
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