Efeito Obama
Durante os seus oito anos na Casa Branca, de 2009 a 2017, Barack Obama ganhou uma reputação inesperada entre assessores e agentes do Serviço Secreto: a de alguém com uma habilidade quase inexplicável para acalmar bebés inconsoláveis.
Pete Souza, fotógrafo oficial da presidência, registou o fenómeno vezes sem conta. Bebés a chorar sem parar — nos braços dos pais, atrás de cordões de segurança, em salas cheias de gente — ficavam subitamente em silêncio no instante em que eram entregues ao Presidente. O choro dava lugar à curiosidade. A tensão, à calma.
Entre os funcionários, a brincadeira tornou-se regra: chamavam-lhe o “Efeito Obama”.
Obama nunca tratou esses momentos como encenação. Não eram poses para a câmara. Ele interrompia conversas com líderes mundiais, atrasava refeições, ignorava agendas apertadas para dar a cada bebé algo raro: atenção total. Segurava-os com naturalidade, sustentava a cabeça com cuidado, aproximava-os do peito para que ouvissem o ritmo do seu coração. Fazia caretas, falava baixo, dizia coisas que os microfones não captavam.
Numa entrevista de 2012, explicou o segredo com simplicidade: bebés não respondem ao nervosismo — respondem à confiança. Criar duas filhas, mais sobrinhos e sobrinhas, ensinou-lhe isso cedo. Ensinaram-lhe a presença. O conforto genuíno.
Antigos assessores lembram-se de como ele embalava instintivamente naquele balanço universal dos pais, de como perguntava às mães sobre horários de alimentação e sestas, de como parecia recarregar energia nessas breves ligações com os cidadãos mais jovens do país.
As fotografias tornaram-se lembranças preciosas para inúmeras famílias. Um dia, aquelas crianças cresceriam e ouviriam a mesma frase:
“Quando eras bebé, o Presidente dos Estados Unidos segurou-te nos braços… e sorriu como se fosses a pessoa mais importante do mundo.”
E, naquele instante, foste mesmo.
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