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Quem não está comigo, está "contramigo"

 

Deputados Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho, junto de André Figueiredo (ao centro) | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Por Igor Magalhães (Do jornal OEstadoCe)

 
Conteúdo partilhado com: Público
Às vésperas da janela partidária, PDT avalia expulsar deputados estaduais de oposição
Movimentação se relaciona com formação da chapa de deputados do partido, que definiu alinhamento ao PT nas eleições do Ceará
O PDT Ceará abriu um processo interno que pode terminar na expulsão dos quatro deputados estaduais do partido, que atualmente fazem oposição ao Governo do Estado. Na prática, Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho já se articulam para trocar de legenda quando chegar a janela partidária, entre 6 de março e 5 de abril.
O momento é previsto no calendário eleitoral e libera a mudança de sigla sem riscos aos parlamentares. Ainda assim, a direção estadual do PDT avalia expulsar os parlamentares em meio à aproximação da janela.
A expulsão foi formalmente solicitada por movimentos internos do partido. A justificativa apresentada é que os deputados se aproximaram de setores da direita, ficando distantes das bandeiras históricas do PDT.
“As bandeiras do partido são bandeiras progressistas, de centro-esquerda e dessas bandeiras a gente não abre mão. O estatuto do partido é bem claro em relação a essas questões. E a gente vê os nossos quatro deputados muito alinhados com essa ala conservadora, com a direita brasileira”, disse Iraguassu Filho, presidente do PDT Fortaleza e membro do diretório do PDT Ceará.
A reportagem buscou contato também com o presidente estadual do partido, o deputado federal André Figueiredo, mas não obteve retorno até o fechamento.
Aliado de Figueiredo, Iraguassu disse que o processo da expulsão está agora no Conselho de Ética da sigla e nos próximos dias vão ocorrer as audiências para ouvir os deputados. “O processo está no devido processo legal, no rito ordinário”, falou o ex-vereador de Fortaleza, informando que até o dia 9 de março o processo deve ser concluído, quando deverá ser pauta de reunião prevista do diretório estadual nesse dia.
O anúncio do PDT de apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), em 2025, junto com as desfiliações de Ciro Gomes (PSDB) e Roberto Cláudio (União), tornou o partido ainda mais distante dos deputados estaduais, que apoiam o ex-presidenciável na disputa pelo Governo do Estado.
DEPUTADOS CRITICAM MEDIDA: “DESCABIDA”
Atual líder da bancada estadual do PDT na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Cláudio Pinho chamou a possível expulsão de “descabida”. Ele afirma que não deixou de ser fiel ao partido em nenhum momento, lembrando a eleição de 2022, quando o partido lançou a candidatura de Roberto Cláudio e perdeu.
“Eu sempre votei aqui (na Alece) com as bandeiras do partido. O partido lançou candidato a governador e o nosso partido perdeu a eleição. Portanto, o nosso partido é oposição ao governo que está aí. Desde o meu primeiro dia de mandato eu tenho me comportado assim. Então, eu não sou infiel ao partido. Inclusive, fui candidato a prefeito pelo partido no ano de 2024”.
Já Antônio Henrique negou que os deputados tenham mudado seus posicionamentos ideológicos e defendeu que “não fizeram nada de errado” para merecer a expulsão. “O que nós temos feito aqui (na Alece) é a união da oposição. E nessa união da oposição tem deputado de direita, de esquerda, de centro. Essa foi a organização que a gente encontrou para fazer oposição ao Governo do Estado”.
Conforme Cláudio Pinho, sendo confirmada a entrada do PDT na coligação do PT, a saída dos quatro deputados é garantida. PSDB, União Brasil e PL estão entre os possíveis partidos para os quais eles podem migrar.
“QUASE EXIGÊNCIA” DE PRÉ-CANDIDATOS
O líder do PDT na Assembleia ainda revelou que, na verdade, a expulsão teria sido “quase como uma exigência” de alguns vereadores de Fortaleza que são pré-candidatos a deputado estadual. A permanência dos atuais deputados estaria causando um incômodo nos planos do partido para a formação da chapa de deputado.
“Foi um quase, assim, uma exigência de parte de dos vereadores da Capital para formação de chapa de deputado. Acho que as pessoas não confiam na palavra dos parlamentares. Eu dei a minha palavra no dia da reunião que, o partido ficando com o governo, eu iria sair, mas mesmo assim eles exigiram isso do presidente André Figueiredo para que talvez mostrasse para os pretensos candidatos ou pré-candidatos pelo PDT que nós não iríamos estar na chapa”.
Pinho também falou que a possibilidade de conceder a carta de anuência teria sido descartada por Figueiredo, pois isso dependeria da autorização da direção nacional do partido.
EXPULSÃO DE VEREADOR AVANÇA
Além dos quatro deputados estaduais, o PDT já aprovou em janeiro a expulsão do vereador PP Cell por infidelidade partidária. A decisão foi tomada pela executiva municipal e ainda será submetida à votação final do diretório, marcada para 23 de fevereiro.
O vereador também faz oposição ao PT e se aproximou do PL, mas não terá permissão para trocar de partido na próxima janela partidária, que será voltada aos deputados.

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